
Amaldiçoou Jeremias o dia de seu nascimento.
Que aquele dia não fosse bendito no calendário.
Lamentou ter sido dado à luz do firmamento,
Pois nascido, foi de tristeza e vergonha seu calvário.
Amaldiçoou quem deu a seu pai a notícia
De que lhe nascera um filho varão.
Já que
amaldiçoar os pais a lei mosaica lhe
proibia,
O profeta
destinou ao anunciante a maldição.
Em lamúria, o profeta suspirou pelo ventre materno,
Refúgio onde o ser está apesar de ainda não ser,
O berço primeiro e terno
Do ser que virá a ser.
Desejou ter nascido antes do tempo,
Preferia que sua mãe tivesse tido um aborto
A passar por tanto sofrimento.
Antes a morte prematura tivesse sido o seu porto!
E lamentou o profeta que o ventre materno
Não tivesse sido o seu primeiro e último abrigo.
Por que não foi ele além de terno, eterno,
Vaso matricial e jazigo?
Se o
profeta que ouviu de Deus a voz,
Ao sofrer,
amaldiçoou seu nascimento,
O que
esperar de simples criaturas como nós
Diante do
cálice do sofrimento?
Contudo
apesar da tristeza, da vergonha e dos
lamentos,
O profeta
prosseguiu cumprindo sua missão,
Continuou
profetizando os eventos
Como lhe
ordenara o Senhor da Criação.